domingo, 27 de julho de 2008

Ser ou não ser? Sim, ele é.


Hamlet, a peça mais disputada desse primeiro semestre de 2008 continua a borbulhar e lotar os 506 lugares do Teatro FAAP.
Porque?
Simplesmente Wagner Moura.
Ator sensação do momento.
Apesar de estar constantemente em atividade na Tv Globo, em participações em seriados, foi no filme Tropa de Elite que o ator torno-se um marco nacional.
Sim, este blog continua a discutir sobre a direção e atuação dos atores mas, convenhamos que, se o Wagner Moura não fizesse parte desta apresentação, ela não seria tão disputada tapa a tapa pelo público por ingressos no custo de R$ 80,00, ou pelas camisetas personalizadas vendidas no hall do teatro por R$ 29,00 ou , essa é a parte que mais me alegrou, o valor de CINCO REAIS pela programação da peça.
É necessário falar mais?
Dá para ficar indignado?
Imagine só!

Enfim, voltando ao propósito principal.
Com direção de Aderbal Freire filho, este Hamlet vem com uma proposta moderna.
Nada de figurino de época; Modelos patrocinados pela Osklen.
Quer mais?

O cenário é simples. Apenas alguns andaimes em suas laterais.
Centro do palco, limpo.
Com alguns objetos para utilização das cenas, mas sempre amplo e descarado.
Das laterais da platéia, não era possível ver a todo o instante os atores que estão em cena.
Durante todo o espetáculo, os atores ficam em cena, nos andaimes, vendo tudo acontecer.
Não sei ainda bem o quanto isso me agradou.
Achei interessante, mas intrigante.
Notei um ou outro ator “em off” durante a apresentação.
Se nas Cortes, os reis quase nunca ficam sós, então aqueles que estão presentes, que se façam presentes!
Ou será que são apenas espectadores, como nós? Que quando cogitados, entram em cena e assumem seu papel?

Outro detalhe.
Intervalo.
Sou contra.
Acredito que quebra o clima de todos que estão envolvidos e, não parei de pensar desde então, e os atores? O que passa nesse momento em suas mentes?
Estão na personagem? Voltaram a ser eles mesmos?
Como é esse processo quando há essa quebra?

As falas são rápidas, na velocidade da mente louca de Hamlet.
Houve alguns engasgos pelos atores Tonico Pereira e Gillray Coutinho apesar, que este é um ator excepcional, foi fascinante durante toda sua apresentação.
Os outros atores tiveram uma representação boa, mas não memorável.
E o Wagner, será que errou?
Não. Meus olhos não conseguiam se desgrudar de sua pessoa; como se houvesse um imã, uma corrente que me puxasse a ele, toda vez que estava em cena.
A platéia parecia estar na mesma sintonia...seus olhos ficam vidrados em cada aparição de Hamlet, mas não pelo Wagner, mas sim pela sua personagem.

É lamentável que esta peça fique tão pouco tempo em cartaz e, principalmente que ela não esteja ao alcance de toda nossa população.
Seria majestoso que, Hamlet pudesse ser levado a quem o quiseste prestigiá-lo, para aqueles que não tem condições de gastar tal alta quantia que, de fato fosse valorizado a arte, o poder de levar este bem a todos, sem discriminação.

E que, principalmente, além de tudo, os programas das peças não fossem cobrados.

De todas as maravilhosas sensações que tive ao ver Hamlet, esta dura realidade me trouxe ao chão e me fez perceber que, no fundo no fundo, o que pode de fato importar é sempre o lucro.

Talvez não para o todo, mas ele permanece...

$$$
* Foto retirada do site da FAAP.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cipriano e Chantalan versão 2008

O local é o mesmo e a expectativa está maior desde sua única apresentação em dezembro do ano passado.
Finalmente chega o dia em que a Companhia Uzyna Uzona apresenta a peça Cipriano e Chantalan.
Retiro quase tudo do que disse de ruim sobre. ( Aos que queiram entender melhor por favor vejam o post antigo de Chatalan)
Fiquei maravilhada e me senti criança de novo. O colorido espalhado entre os panos, estrelas e natureza, misturados com o coro de vozes dos atores mirins do Bixigão que alegram todo o espaço avenida Oficina.
Um item que preciso ressaltar. A beleza do cenário. Acho que nunca vi um cenário tão lindo. Simples e de uma vivacidade incrivel.
Com o enredo do amor interrompido de Cipriano que perde Chantalan em uma tarde de domingo este, desesperado corre atrás do seu amor por 7 anos e, nesse período, passa por aventuras fantásticas para reencontrar esse amor.
Passa pela casa do Sol – gay, ótima interpretação de Guilherme Calzarava, como o próprio astro e, sua mãe, interpretada por Céllia Nascimento. O público foi levado do inicio ao fim pelas peripécias das duas personagens.
Após esse momento “alegre”, Cipriano vai até o céu atrás da Princesa da Lua que, acompanhada por suas estrelas enriquecem a moral do gênero feminino de que “nunca se entregar rápido demais, esse é o X da questão.”
A cantora lírica e claro, atriz, Naomy Schölling foi o glamour desta viagem. Uma ótima atuação que prendeu o público com sua linda voz e com suas caras e bocas.
Sem encontrar o que queria, Cipriano continua sua busca e vai para a selva. Lá encontra índios que, ao conhecerem um empresário se vendem para o showbusiness.
E aí que eu me senti perdida.
Apesar de, em cada “mundo” que Cipriano visita, mesmo que ele não esteja o tempo todo presente, as passagens das personagens são apresentadas em um bom tempo. Não curta demais ou longo demais.
Mas, nessa cena da visita a selva, fica longo demais e o Cipriano apenas assisti ao fundo tudo que se passa.
E ai entramos no mundo árabe; e “vamos todos comer kibe!”
Não dá para negar que é uma parte muito animada, mas e....
Cadê a história mesmo?

Esses dois momentos foram os únicos no qual a história ficou perdida.

Enfim, Chantalan, que agora é uma “menina – gaivota” , reencontra seu amado.

O fim?

Ainda não.

Em meio do palco me aparece Alice. Sim, Alice no País das Maravilhas.

Apesar de ser uma peça que me lembra muito o Pequeno Príncipe, esse final com referência a Alice deu muito sentido as coisas fantásticas que aconteceram durante as 3 horas de apresentação.

Pode ter sido óbvio?
Pode.
Mas confesso que fiquei muito feliz com o resultado.
Senti- me novamente no Oficina.

Evoé!