
Com estilo bem diferente de qualquer outro teatro na capital paulista, o Teatro Oficina, presidido pelo diretor e ator José Celso Martinez Corrêa, comemora seus 50 anos de existência e sobrevivência no bairro do Bixiga.
Formado pela Companhia Uzyna Uzona, o Teatro Oficina, ou também conhecido apenas por Oficina, é um dos teatros de São Paulo mais conhecido pela sua linha divergente, comparado aos teatros tradicionais, uma vez que trabalha muito com alguns tabus ainda encontrados na sociedade brasileira, como a homossexualidade, drogas e sexo.
Na década de 1960, o Oficina foi um importante centro de resistência na época da ditadura no país, tendo em uma de suas apresentações de o Rei da Vela, (*história que conta a fábula de um industrial de velas, arruinado sob o peso de empréstimos insaldáveis ao imperialismo norte-americano, retrata a condição subdesenvolvida do país, alvo de uma mentalidade tacanha, autoritária e erigida sobre aparências) uma invasão militar, acabando então com a presente apresentação.
Um outro marco recente do Oficina foi nos anos de 2005, 2006 e início de 2007. Com mais de 25 horas de peça, o grupo Uzyna Uzona montou a apresentação do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, marco da reportagem brasileira e, que foi publicado em 1902. E levou essa mesma peça para Canudos, seu cenário de origem, e outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador.
Com um elenco numeroso a montagem contou ainda com a participação do público que interagia com as músicas, danças e encenações. O Oficina adicionou muitos fãs à sua lista e prova disso foram as filas gigantescas para assistir a peça da Guerra de Canudos, ainda mais porque esse evento foi gravado e eternizado em DVD.
Curiosa com a opinião de seus admiradores, fui atrás de pessoas que freqüentam o teatro Oficina, algumas mais recentes e outras mais antigas e, entre todas as perguntas feitas, escolhi duas questões chaves para entender o que faz o trabalho do Grupo Oficina ser apreciado.Apresento-lhes meus entrevistados: Nathaly Matsuda Franzosi, freqüentadora do Teatro Oficina desde 2005; Luca Oliveira, freqüentador desde 2006 e Beatriz Rostey, público desde o ano passado.
Formado pela Companhia Uzyna Uzona, o Teatro Oficina, ou também conhecido apenas por Oficina, é um dos teatros de São Paulo mais conhecido pela sua linha divergente, comparado aos teatros tradicionais, uma vez que trabalha muito com alguns tabus ainda encontrados na sociedade brasileira, como a homossexualidade, drogas e sexo.
Na década de 1960, o Oficina foi um importante centro de resistência na época da ditadura no país, tendo em uma de suas apresentações de o Rei da Vela, (*história que conta a fábula de um industrial de velas, arruinado sob o peso de empréstimos insaldáveis ao imperialismo norte-americano, retrata a condição subdesenvolvida do país, alvo de uma mentalidade tacanha, autoritária e erigida sobre aparências) uma invasão militar, acabando então com a presente apresentação.
Um outro marco recente do Oficina foi nos anos de 2005, 2006 e início de 2007. Com mais de 25 horas de peça, o grupo Uzyna Uzona montou a apresentação do livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, marco da reportagem brasileira e, que foi publicado em 1902. E levou essa mesma peça para Canudos, seu cenário de origem, e outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador.
Com um elenco numeroso a montagem contou ainda com a participação do público que interagia com as músicas, danças e encenações. O Oficina adicionou muitos fãs à sua lista e prova disso foram as filas gigantescas para assistir a peça da Guerra de Canudos, ainda mais porque esse evento foi gravado e eternizado em DVD.
Curiosa com a opinião de seus admiradores, fui atrás de pessoas que freqüentam o teatro Oficina, algumas mais recentes e outras mais antigas e, entre todas as perguntas feitas, escolhi duas questões chaves para entender o que faz o trabalho do Grupo Oficina ser apreciado.Apresento-lhes meus entrevistados: Nathaly Matsuda Franzosi, freqüentadora do Teatro Oficina desde 2005; Luca Oliveira, freqüentador desde 2006 e Beatriz Rostey, público desde o ano passado.
- A temática que o Grupo utiliza é apenas para chocar ou tem algum propósito maior?
Nathaly: A temática tem um propósito maior, mas muitas pessoas não percebem o propósito por estarem vinculadas às questões que as oprimem culturalmente, dando ênfase ao choque diante do nu e do sexo, por exemplo, não se atendo ao que realmente choca (questões, manobras, invasões no sentido concreto e abstrato e condições sociais).
Luca: A temática criada pelo diretor Zé Celso é a temática de Zé Celso. Ele preso em seu personagem e seu público querendo se prender em seus personagens. Penso que a vontade de seus freqüentadores em se “chocar” seja maior que a dele de “chocar”.
Beatriz: Entendo que a temática utilizada por ele é feita pra chocar e nisso encontra seu mérito, ela quebra com a maneira fácil e desatenciosa de se relacionar com alguma criação. O choque tem valor de extrema importância, ele nos faz repensar nossas noções e faz com que nos atenhamos mais àquilo que requere nossa atenção. É uma reivindicação a uma percepção mais crítica. Também, percebi fazer parte das montagens de Zé Celso uma crítica ao pequeno burguês, por isto o elemento nu ganha tanta relevância. Numa tentativa de desconstrução da ideologia burguesa, o homem se despe, escancarando sua natureza e quebrando expectativas e regras numa contraposição. O nu desavergonhado, não casto e real gera um incômodo, e é neste incômodo que existe uma mensagem a serviço do resto do enredo.
- O que lhe desagrada no trabalho de Zé Celso?
Nathaly: Bom, algumas peças pós Os Sertões não me agradaram, por conter muitos incrementos de Os Sertões e me parecerem um pouco vazias, com reflexões batidas e com algumas coisas sem nexo, fazendo com que a peça fugisse do tema e do contexto. O que não me agrada muito no Zé são algumas maneiras indelicadas e extremistas que às vezes ele demonstra. O nu que ele coloca nas peças não me incomoda, porém quando é posto em exagero acaba sendo banalizado.
Luca: A repetição da alma de suas personagens.
Beatriz: No trabalho dele há, na minha visão, uma certa ingenuidade, um espírito desatualizado de revolta e contestação. Isso por conta da minha própria posição, vejo que estamos num contexto mais cru, as ilusões não estão mais ligadas ao rompimento com estruturas do sistema, vejo que cada vez mais percebemos como todos estamos submetidos a ele de uma forma lúcida. Alguns chamam isto de juventude alienada, mas isto é refletido por essa juventude, é o nosso tempo e realidade, e essa crueza pertence ao olhar de pessoas de diferentes idades. Não temos construção do homem brasileiro (antropofagia), guerras e ditaduras. Temos um modelo criado por nós que nos aprisionou de uma forma extremamente poderosa, que nos tirou nossa humanidade. Creio que as obras podem reivindicar isto e falar disto, agora se por de uma maneira tão superior ao “inimigo” é um algo que até me desanima.
Com a mesma importância do público e, também para finalizar essa reportagem, despertou-me o interesse dos integrantes da Uzyna Uzona; por isso, conversei com umas das atrizes da Companhia, que também é cantora lírica, Naomy Schölling, integrante do Oficina desde de 2005, participando apenas do ciclo de Os Sertões.
- Como é para você fazer parte da comemoração dos 50 anos do Teatro?
Naomy: É muito emocionante. Fazer parte de um grupo como o Oficina, com tanta história (50 anos!!), é um privilégio. Como é um privilégio trabalhar com um artista tão genial como o Zé Celso. Apesar de ainda não ter entrado o dinheiro da patrocinadora Petrobrás, e de estarmos trabalhando por muito pouco dinheiro, foi minha opção não me juntar a um outro trabalho para o qual fui convidada, só para poder estar no Oficina neste ano tão importante. Agora estamos ensaiando Cypriano e Chantalan, escrita pelo irmão do Zé, Luiz Antônio Martinez Correa. Parece que a próxima será Os Bandidos, de Schiller. Depois, não sei...
- Porque trabalhar no Oficina?
Naomy: Pelo Zé. Pelo Oficina. Por todo mundo que já passou por lá. Por todos que ainda estão. Por tudo que tenho a aprender lá.
- Você acredita que o trabalho feito por Zé Celso com o nu pode mais denegrir do que beneficiar a Companhia?
Naomy: Não. Na grande maioria das vezes, acho que o nu é usado de maneira magistral. É difícil eu achar que um momento de nu, ou alguma cena onde a sexualidade é explorada de alguma forma são momentos supérfluos, desnecessários.
- Você acredita que pode haver uma mudança no estilo do Teatro Oficina daqui 20, 30 anos?
Naomy: Acho que o estilo do teatro só mudaria se o Zé não estivesse mais lá. Apesar de também haver outras peças fundamentais no universo do grupo, como o Marcelo Drummond, o Oficina gira em torno do Zé. Mas, como todo ser humano é suscetível a mudanças, talvez o próprio Zé vá alterando seu estilo com o passar do tempo. Ele acredita que Taniko seja uma peça diferente das outras que já fez. Ainda não assisti à peça inteira, portanto, não posso concordar ou discordar dele.
* Informação retirada do site: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=espetaculos_biografia&cd_verbete=456
**Para essa matéria estar completa seria fundamental a participação de Zé Celso, porém, após algumas tentativas e até uma resposta do mesmo, não foi possível uma entrevista a tempo da entrega dessa reportagem com Zé e com o diretor da Companhia, Marcelo Drummond.

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