domingo, 11 de maio de 2008

Taniko


Com a estréia no ultimo dia 9, a nova peça dirigida por Zé Celso, Taniko, entra em temporada neste mês de maio ás sextas, sábados e domingos e fica em cartaz até o dia 1º de junho.
Em homenagem a seu irmão Luis Antonio, o qual foi nesta peça sua última apresentação, o grupo Uzyna Uzona, com alguns atores novos, representa a obra em seu santuário, uma vez que as primeiras apresentações foram feitas no Sesc Paulista.
A história conta a aventura de um jovem aprendiz, Kogata (Ariclenes Barroso, um jovem talento que conquistou o público em sua performance em Os Sertões) que decide se juntar ao seu mestre, Waki, interpretado por Marcelo Drummond em uma viagem rumo ao Brasil.
Nesta viagem, o Kogata adoece e, por ordem do segundo mestre, que está abordo, ele deve ser submetido ao Rito do Mar. Com a sua morte, o arrependimento bate nos corações dos tripulantes, fazendo com que iniciem uma nova jornada para trazer o menino de volta a vida, afinal não se mata o que se ama.
Além destes dois personagens, a tripulação conta com o segundo mestre a bordo, Tsuri (Hector Othon) e também o Coro De Iamabuchis, mochileiros budistas formado pelos atores: Anthero Montenegro, Camila Mota, Flávio Rocha, Julianne Elting, Lucas Weglinski, Rodrigo Andreolli.
No elenco há também a presença das atrizes, Silva Prado, que interpreta mãe do jovem Kogata, Iemanjá e a poderosa deusa do mar, e Célia Nascimento, como a deusa Bunda Bundo.
Há e claro, uma participação bem curta de Zé como apenas O Deus. Pequenas aparições, mas sempre Vital.
As “fotografias” montadas durante o espetáculo são belíssimas. A excelente utilização dos panos é sempre um marco forte nas encenações do Grupo.
Sempre com a presença da banda no terreiro eletrônico, desta vez ela foi mais do que vital; ela foi a base deste lindo musical.
Apesar de ter gostado muito da peça, e que pretendo vê-la mais uma vez, a atuação de alguns atores deixou a desejar. Talvez por ser a estréia, ou por não estarem um bom dia ou também por total insegurança de um dos Iamabuchis, deixando muito evidente essa sensação. Infelizmente não posso citar o nome, porque não sei quem ele é, apenas sei que é um dos novos por lá.
O ator Hector Othon deixa dúvidas. Ou ele interpretou com excelência um sábio mestre chinês ou simplesmente seus olhos estão mortos; não havia sentimento neles ou em qualquer de suas ações.
O ultimo a se comentar é Drummond. Sempre gostei muito de sua atuação, mas naquela sexta - feira parecia estar algo errado. Havia também uma falta de vida, um ar pesado; inclusive no inicio da apresentação, quando ele dialoga com a mãe de seu aprendiz, houve tantos espaços vazios, um silêncio mais que normal, deu a sensação de uma falta de sintonia.
Ah, um detalhe que pode ser até relevante, mas para mim foi surpreendente de uma ótima maneira. Não houve nudez total. Não pude nem acreditar! Sempre que vou ao Oficina espero ver alguém nu, inclusive o Zé, mas dessa vez não! Por mais que eu goste do seu teatro por ter esse trabalho corporal, me admira quando há essas mudanças.
Além disso para encontrar a sua essência, do Zé e de seu grupo, basta respirar bem fundo dentro do Teatro Oficina e deixá-lo percorrer em todo seu corpo.
É ali que está o seu coração.


Evoé!

* Foto retirada do site do Teatro Oficina.

sábado, 3 de maio de 2008

O Conto da Ilha Desconhecida



Nem tudo que buscamos está em outro lugar especificamente físico.
O que precisamos pode estar na nossa frente e sem necessidade de ser exatamente o que imaginávamos que nos faria feliz.
A proposta apresentada pela Companhia Pé na Porta ,que fica em cartaz até o dia 29 de junho no Teatro Fabrica Coletiva, é a transcrição do desejo humano em realizar seus sonhos mesmo quando possam parecer impossíveis.
O texto, originalmente de José Saramago, é bem trabalhado pelos atores da Companhia.
O ambiente já é agradável logo a principio. Os atores lhe recebem ao som de violão e de percussão, particularmente, aprecio muito as peças que tem música ao vivo, principalmente a presença da percussão, a música ali viva, saindo das cordas vocais de cada pessoa faz se sentir que aquele som também te pertence, que ele existe e te rodeia por inteiro. Uma única vibração.
Um jogo de ciclo das personagens é feito durante todo o espetáculo, acrescentando um tom paradoxalmente de diversidade e singularidade. Cada ator pode dar o seu toque para a personagem e assim, possibilitando ela ser vista de inúmeros ângulos.
Um ponto também muito positivo é a utilização de recursos simples para dar a criação de objetos de cena. Panos – árvores e guarda-chuvas - gaivotas nos faz lembrar de quando éramos crianças e que quando pegávamos um pedaço de pedra poderia ser na verdade um planeta de uma galáxia desconhecida. Aguçar a imaginação de que podemos transformar tudo que está a nossa volta naquilo que queremos, basta acreditar.
A beleza do teatro é essa. Nos permitir saber que temos tudo a nossa mão. Que a imaginação, a criatividade é o maior recurso humano.
Com os atores Henrique Athayde, Juliano Barone, Marcella De Nardo, Nathalia Marques, Patrícia Sinhorini, Fernanda Mariano, vale ressaltar que maior parte do elenco tem uma atuação convincente e sincera e, direção de Paulo Marcos, O Conto da Ilha Desconhecida é uma das poucas peças que me senti criança de novo e que pode te deixar levar também nessa mesma sintonia se você permitir, temos sempre que manter essa chama juvenil acesa para viver de verdade o que nos é apresentado em cena.
* Foto retirada do site do Teatro Fábrica Coletivo.