quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Arquiteto e o Imperador da Assíria


Peça em cartaz no Satyros 2 que, infelizmente tem seu fim já no próximo dia 25 de abril, por conta de uma chamada Global ao ator Paulo Vilhena para uma Oficina em Los Angeles.
A obra foi criada pelo espanhol Fernando Arrabal, e hoje conta com direção e, diga-se muito bem elaborada do mais novo diretor e já ator Haroldo Costa Ferrari, e com atuação de Beto Bellini, o Imperador e Paulo Vilhena, o Arquiteto.
Como enredo há a história de dois homens presos em uma ilha deserta. O Imperador, sobrevivente de um acidente aéreo, e o Arquiteto, um ser primitivo que já habitava a ilha.
Com sua alta modéstia e sentimento de superioridade por ser civilizado, o Imperador se vê como um Deus, um mestre para o ser primitivo que habita a ilha.
O Arquiteto por sua vez encontra no Imperador alguém em quem confiar e que pode lhe ensinar como ser feliz mas, sem perceber como o seu companheiro o inveja pela sua pureza; por sua própria natureza.
Sim, este é o básico.
Agora o complexo.
Desde a primeira versão apresentada no Teatro Ipanema, a utilização da linguagem do corpo é vital para a apresentação dessa peça.
Infelizmente, não pude assistir a versão com os atores Rubens Corrêa eJosé Wilker mas, é preciso ressaltar o excepcional desempenho de Paulo Vilhena.
Com uma alta exigência física que a personagem requer, o ator conseguiu fazer uma atuação impecável. Sem falhas nos diálogos, sem cansaço na voz, por conta das cambalhotas e pulos, sem contar das multifacetas que o Arquiteto tomava de acordo com o decorrer do espetáculo.
Já o ator Beto Bellini pode-se constatar alguns erros em suas falas. Talvez porque ele as falasse rápido demais, mas não há como não comentar os incidentes. Uns cinco deles mais ou menos.
Um outro ponto negativo de O Arquiteto e o Imperador da Assíria é a quantidade de músicas utilizadas. Parece um bombardeio e, sempre numa altura elevada demais para o tamanho do espaço.
Voltando aos pontos positivos, Rodolfo Garcia fez um excelente trabalho com a iluminação. Esta era o meio de transporte para entrarmos nas insanidades das personagens que, por conta da solidão criavam um mundo particular onde seus erros eram julgados a sangue frio mas, no fundo guiados por um sentimento de compaixão e necessidade entre os dois homens.




* Foto de Leo Marino