quinta-feira, 27 de março de 2008

Na cama com Tarantino

O que se esperar quando ouvimos o nome Tarantino? Complexidade, cenas bizarras, personagens pertubados?
Duas dessas características são encontradas na peça encenada pela Cia de Teatro Rock, mas o essencial ficou superficialmente relatado nas entrelinhas de um complexo de mundo pop e sem sentido.
Entendeu?
Eu também não!
Começo de espetáculo longo.
Apresentação geral do grupo em projeção durante uma música, do filme Kill Bill, que soou pelo teatro mais ou menos uns intermináveis três minutos.
Vários personagens são apresentados.
Loucos mórbidos, ambiciosos, promíscuos, nóias, uma infinita gama de estilos e características que tem a marca tarantino, inclusive a participação “perdida” de Beatrix Kiddo, Kill Bill, que nada mais foi que uma personagem fútil.
Enredo básico: roubar uma pedra valiosíssima no banco. E há gangues disputando por este tesouro tão precioso. Planos e alianças anônimas são feitas para furtar algo mais valioso que uma maçã na feira.
Os diálogos lembram situações de histórias em quadrinho.
A música My way, interpretada por Frank Sinatra é usada de uma maneira estranha; o trimilique é o excesso da ganância,será? A ganância é a droga que nos faz tremer nas bases?
Linha linear? Nenhuma...misturada a lá tarantino, chegando a conclusão de que não ter cronologia no teatro pode não funcionar, não por falta de entendimento, mas porque não fica bom quando a história não é consistente e pela constante troca de objetos de cena.
Cena péssima para um ator? Pessoa sentada na frente da platéia dormindo, outra viajando. Vi algumas.
Apesar de uma comédia, poucos risos foram ouvidos entre as piadas também de estilo norte americano.
O elogio que posso fazer é quanto a atuação de alguns dos atores, a qual foi boa e com um bom caricato deixando o enredo mais leve e divertido.
Para os interessados, a peça está cartaz até o dia 11 de abril no Espaço dos Parlapatões, na Praça Roosevelt, com direção de Fábio Ock, Fezu Duarte e Marcos Okura.
E sim, I did it my way...

terça-feira, 25 de março de 2008

Closer


Desde o dia 22 de março está em cartaz no Espaço Parlapatões a peça Closer, baseada no filme de nome homônimo com direção de Florência Gil. No elenco, os atores Amazyles de Almeida, Hermes Baroli, Joca Andreazza e Rachel Ripani.
Closer foi escrito em 1997 em Londres pelo dramaturgo inglês Patrick Marber.
Para quem não conhece a história encenada, ela se baseia na vida amorosa e sexual de seus quatro protagonistas: Dan, Alice, Larry e Ana. Todos acabam se envolvendo em paixões avassaladoras que na verdade são mascaradas com a simbologia do “em nome do amor”.
Cada um tem seu Q especial. Características particulares como ciúme, posse, carência, medo, desprendimento entre outros sentimentos comuns em qualquer relacionamento a dois.
Não é possível não comparar a peça com o filme, uma vez que além da adaptação, com algumas cenas extras ( bem colocadas e com um toque pessoal da diretora) e com final diferente ( não muito bom),as falas eram muitas vezes exatamente as mesmas ; apenas os personagens eram mais serenos. Tinham seus sentimentos mais recatados.
A fúria ficou de lado.
As cenas de briga não foram tão acaloradas; nervosas.
Fato explicado, talvez, pela pouco entrosamento entre o elenco, que após espetáculo relataram que um dos atores tinha se apresentado pela primeira vez com o grupo.
E isso prova o quanto é fundamental um grupo de teatro ser um único organismo.
Você saber e sentir que entre os atores existente uma força, uma atração que é impossível de desviar o olhar da platéia para os atores assim como entre os atores; personagens e intérpretes e enfim personagem entre personagem.
Esta química é essencial.
Quem sabe mais para frente essa harmonia não se restabeleça e faça deste espetáculo mais envolvente.