sábado, 3 de maio de 2008

O Conto da Ilha Desconhecida



Nem tudo que buscamos está em outro lugar especificamente físico.
O que precisamos pode estar na nossa frente e sem necessidade de ser exatamente o que imaginávamos que nos faria feliz.
A proposta apresentada pela Companhia Pé na Porta ,que fica em cartaz até o dia 29 de junho no Teatro Fabrica Coletiva, é a transcrição do desejo humano em realizar seus sonhos mesmo quando possam parecer impossíveis.
O texto, originalmente de José Saramago, é bem trabalhado pelos atores da Companhia.
O ambiente já é agradável logo a principio. Os atores lhe recebem ao som de violão e de percussão, particularmente, aprecio muito as peças que tem música ao vivo, principalmente a presença da percussão, a música ali viva, saindo das cordas vocais de cada pessoa faz se sentir que aquele som também te pertence, que ele existe e te rodeia por inteiro. Uma única vibração.
Um jogo de ciclo das personagens é feito durante todo o espetáculo, acrescentando um tom paradoxalmente de diversidade e singularidade. Cada ator pode dar o seu toque para a personagem e assim, possibilitando ela ser vista de inúmeros ângulos.
Um ponto também muito positivo é a utilização de recursos simples para dar a criação de objetos de cena. Panos – árvores e guarda-chuvas - gaivotas nos faz lembrar de quando éramos crianças e que quando pegávamos um pedaço de pedra poderia ser na verdade um planeta de uma galáxia desconhecida. Aguçar a imaginação de que podemos transformar tudo que está a nossa volta naquilo que queremos, basta acreditar.
A beleza do teatro é essa. Nos permitir saber que temos tudo a nossa mão. Que a imaginação, a criatividade é o maior recurso humano.
Com os atores Henrique Athayde, Juliano Barone, Marcella De Nardo, Nathalia Marques, Patrícia Sinhorini, Fernanda Mariano, vale ressaltar que maior parte do elenco tem uma atuação convincente e sincera e, direção de Paulo Marcos, O Conto da Ilha Desconhecida é uma das poucas peças que me senti criança de novo e que pode te deixar levar também nessa mesma sintonia se você permitir, temos sempre que manter essa chama juvenil acesa para viver de verdade o que nos é apresentado em cena.
* Foto retirada do site do Teatro Fábrica Coletivo.

6 comentários:

Bê disse...

Saramago! Vontade de assistir.
outro dia, no farol, um senhor puxou papo comigo, falando de como sonhou e como a nova geração deve sonhar. despediu-se desejando que eu sonhasse, não esquecesse e lutasse.

concordo com o q vc disse sobre a presença da música.o ao vivo das pessoas e das vibrações parece "trazer p/ perto".

hmm,inventar e reinventar, serve p/ aquele papo bridget jones tb...
bê-jitos.

Juliana Cruz disse...

saramago rules, mas sei la....acho que tenho um problema pessoal com musicais. rs

mas as sombras estavam otimas! muito o mito da caverna!
adoro!

Andy disse...

ahhhhhh, num creio que perdi esse espetáculo... for free yet! Mas ok... no monólogos eu vou., bjs

Paty Ortega disse...

Coincidentemente, nesse final de semana, passei a pensar melhor sobre a importância de sonhar, após ter ido ao circo. rs
(Passe no meu blog)

Fiquei curiosa para ver essa peça.

Ótimo texto, Má!

Bjks!!!

ana lúcia disse...

Pessoal! Vi a peça este fim de semana! É realmente muuuuito boa, faz a gente entrar em outro mundo e até refletir sobre nós mesmos!!! As músicas são ótimas e a cantora principal tem uma bela voz!

Lucas Pasin disse...

Confesso que fiquei muito afim de assistir tb. Eu gosto de espetáculos que seguem essa linha...

Texto mto bom :D