quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Marat / Sade


A peça apresentada pelos membros da Oficina do Satyros, Perseguição e Assassinato de Jean Paul Marat representado pelo Grupo Teatral do Hospício de Charenton sob a direção do Senhor de Sade, mais conhecido apenas por Marat / Sade, não poderia ter sido mais oportuna. A grande quantidade de loucos em cena a todo momento favoreceu e muito os atores iniciantes, já que, mesmo que não cumprissem fielmente seu papel, o público jamais poderia notar.
O início é perturbador. O público desde as escadas do Satyros II em busca de um lugar para se acomodar, mas esse local parece nunca chegar, seja pela confusão causada pelos murmúrios dos louquinhos que repetem coisas, aparentemente sem sentido, ou pelas voltas dadas por todo o espaço antes de alcançar a arquibancada.
A história é muito boa, o enredo foi bem trabalhado, mas infelizmente, provavelmente por se tratar da estréia, não só do texto, mas dos atores, num todo a interpretação do texto de Sade deixou a desejar. Algumas atuações foram caricatas demais, outras de menos, e isso prejudicou o entendimento do texto e, em alguns momentos, tornou a peça entediante.
Alguns oficineiros se destacaram com uma apresentação carismática e divertida, enquanto outros pareciam nem estar lá mentalmente. No entanto, críticas individuais não cabem aqui, já que nem todos podem ser identificados e não seria justo apontar um ou outro como bode expiatório.
O que fica é um parabéns a todos os atores pela coragem que tiveram ao se despirem de seus medos e pré-conceitos e encenarem um texto tão difícil perante o público, além de um singelo conselho para o futuro. Ensaiar com afinco, se entregar ao personagem e evitar gestos e posturas caricatas em textos que, embora superficialmente divertidos, tratem da tragédia que é a sociedade e a alma humana.
Crítica escrita por Juliana Cruz

8 comentários:

Juliana Cruz disse...

haha. me senti.

Cristine disse...

Adorei!!!!
Assisti a peça ano passado com outro grupo. No início fiquei viajando, sem enteder nada, mas permaneci atenta a tudo e logo compreendi.
Aos aprendizes, penso que muito em breve alcançarão o merecido destaque.
Parabéns!!!!!!

Tadeu Nunes de disse...

Uma das coisas mais difíceis, hoje em dia, é falar de uma peça e não ser maniqueísta ou parcial. Além do fato de sempre ter algum conhecido no palco, a máxima do "vamos respeitar o empenho, blá, blá...", anda muito em voga.
Para minha surpresa, e felicidade, o mesmo não acontece com a maior parte das críticas desse blog. Textos bem escritos, numa prosa gostosa e informal, com informações completas e um ponto de vista beirando a imparcialidade.

Andy disse...

A marília tmb tava caricata?

Larissa disse...

O último parágrafo disse tudo...independente de qquer coisa, o importante é a coragem desses atores de se entregarem a peça e ao público.
Não tive a oportunidade de vê-los (infelizmente, mas a Má sabe pq), mas sei do esforço para q tudo desse certo! Parabéns...e que seja a primeira de muitas apresentações!

.lucas guedes disse...

gostei do blogue. além de estudar teatro e fazer teatro, vc escreve sobre teatro? bom, bom. escreva mais e sempre. e essa peça criticada pela juliana parece ser massa, hein. eu gosto dos oficineiros dos satyros. é que tem uns que querem ser o ivam, a nora e tal. tem uns que ainda não acharam seu estilo próprio e talvez nem saibam mesmo o que estão fazendo lá. mas no geral gosto. e é issoaê.

Hindira disse...

Não sei se o texto tinha descrições "fechadas" de como teria de ser montada mas, seria interessante ter visto modos diferentes de fazer as cenas, por exemplo com base nos exercícios tetrais da oficina. bom, deve ter tido um pouco disso mas, o legal de montar uma peça tão antiga e que já foi tantas vezes encenada está nas renovações, nas experimentações. Achei parecido com o filme Contos Proibidos...

Hindira disse...

Quanto ao lance de ser Oficina dos Satyros: é engraçado como tudo que é feito no Satyros tem uma roupagem típica, uma atmosfera-sei-lá-o-quê, ar satyriano, mesmo que não tenha mulher pelada ou falos.