quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Cipriano & Chan-ta-lan


Domingo, dia 23 de dezembro de 2007 comemorou-se o rito de 20 anos da eternidade de Luis Antônio Martinez Corrêa, irmão poeta do diretor do Teat(r)o Oficina, Zé Celso.

O ritual desse ano foi a apresentação de uma leitura representativa da peça infantil Cipriano e Chan-ta-lan, escrito por Luis e Analu Prestes em 1973; dirigido por Marcelo Drummond e Pascal da Conceição.

Não acreditava que, pela primeira vez o Zé iria apresentar algo completamente diferente de suas peças, como Os Sertões e Os Bandidos.
Apesar de toda a alegria de estar no Oficina, local que acredito ser sagrado, me deparei no final de tudo com as mesmas coisas como, a nudez que dessa vez, foi desnecessária.

Adoro o trabalho que a Companhia faz com o nu, de desmistificá-lo, mas tem momentos que eu não preciso ver novamente as genitálias dos atores que, praticamente, decorei a fisionomia de todos em Os Sertões.
O inicio da peça foi fantástico.
Colorido! Um ambiente mágico que me transpôs para milhares de lugares fantásticos que só minha imaginação sabe onde exatamente fica.
Meu lado criança explodiu em meio das canções e do coro dos atores.

O enredo é simples. Cipriano e Chan-ta-lan se apaixonam ainda crianças. Chan-ta-lan vai embora e, assim inicia-se a busca de Cipriano por sua amada em vários mundos, que me fez lembrar, neste quesito, o Pequeno Príncipe.

A viagem estava sensacional. Até que tudo se perde.

O Sr. Capitalismo aparece...a Mãe Natureza aparece e Cipriano some! Chan-ta-lan então, nem se vê mais. Aparece apenas no final, sendo interpretada pela belíssima Anna Guilhermina e em forma de gaivota que mal se entende como ela virou uma.

De repente a mágica sumiu nas quatro horas de peça e, o fim chega sem ao menos entender e não deixar de me perguntar: O QUE ACONTECEU MESMO???
Apesar de ser uma leitura ensaiada em oito dias, não se pode contestar o excelente trabalho dos atores e, especialmente de Ricardo Bittencourt, simplesmente não encontro palavras exatas para o elogiar.
Mas confesso que esperei pelo diferente e, este diferente comparados a outros teatros, ficou o mesmo.
No final não poderia faltar A Música, Ressucita - me em homenagem a Luis. É lindo ver nos olhos do Zé e de alguns poucos atores o que esse momento reflete. Da emoção e de um sentimento de amor pela arte, por pessoas, pela vida que o teatro nos remete.
Detesto escrever algo ruim em relação ao trabalho do Zé Celso.
Achava que nunca escreveria algo do gênero. Mas, de maneira alguma, isso diminui minha afeição e respeito pelo trabalho do Teat(r)o Oficina que, para mim, é meu segundo lar.


Para celebrar Luis...


Talvez

Quem sabe um dia...

Por uma alameda do zoológico ela também chegará

Ela que também amava os animais entrará sorridente assim como está

Na foto sobre a mesa

Ela é tão bonita

Ela tão bonita que na certa eles a ressucitarão

O século trinta vencerá

O coração destroçado já pelas mesquinharias

Agora vamos alcançar tudo o que não podemos acuar na vida

Como estrelar das noites inumeráveis

Ressucita-me ainda que mais não seja

Porque sou poeta

Ressucita-me lutando contra as misérias do cotidiano

Ressucita-me por isso

Ressucita-me quero acabar de viver o que me cabe, minha vida

Para que não mais existam amores servis

Ressucita-me pra que ninguém mais tenha

De sacrificar-se por uma casa um buraco

Ressucita-me para que a partir de hoje

A família se transforme

E o pai... seja pelo menos o universo

E a mãe... seja no mínimo a Terra, a Terra, a Terra





Evoé!

4 comentários:

Andy Rocka disse...

É ruim, mas mostra seu profissionalismo. Parabéns!

Juliana Cruz disse...

hum...poderia ter sido mais objetiva. que vc eh fão do zé e do oficina já sabemos, nao precisava babar tanto ovo. a unica coisa que aprendi com um certo prof. simbolo do capitalismo selvagem foi a frase "nao brigue com os fatos" e, se a peça eh ruim, poderia ter focado nisso e fim, sem tantos elogios qto a outros trabalhos do grupo.....enfim, ainda bem q nao acordei cedo domingo entao....rs

Anônimo disse...

oi,marília.
bom q a experiência não acabe com o fim do espetáculo.legal esses textos sobre as peças. entendi a sensação q vc passou das montagens do oficina...

de mais -boa sorte nas suas montagens! =)
bê.

Larissa disse...

Que tristeza!