quarta-feira, 3 de outubro de 2007

El Truco – Muito mais que a metalingüística em cena.


Noite de sábado ou de domingo, mais precisamente ás 18h00min, as pessoas tem a opção de se acomodar nas instalações do Satyros 2, localizado na Praça Roosevelt, número 124 e, assistir a peça do Núcleo Experimental do Satyros (NES) El Truco, com direção de Roberto Áudio, a qual ficará em cartaz até o dia 16 de dezembro.

O clima é denso e, o espetáculo começa com a entrada solene do Cavalo. Caminhar forte e objetivo. Pára ao centro da ribalta e, mesmo que por trás da máscara não possamos ver o rosto do ator sabemos que ele olha para cada um de nós.
Assim sucessivamente, entra todo o elenco, vestidos com as máscaras de animais diferentes e dançando sensualmente, inclusive com coreografia, para a platéia, cativando-a para a história que vem a seguir.

Lentamente os atores - animais saem e vem o grande host da noite, apresentando um discurso incomum, mais ou menos nessas palavras: Respeitável público, eu Yan Stoclkler, o escritor que se mantém, rigorosamente no topo dos piores autores,porque para ser o pior dos piores não é para qualquer um. Apresento-lhes minha mais nova obra El Truco.

Como diz no próprio flyer de El Truco, a história se passa durante uma guerra e, um grupo de sobreviventes que habitam um bunker, para matar o tempo, ensaiam a peça Sonhos de uma noite de Verão, de Shakespeare.

Mas já sabemos que encontraremos muito mais do que metalingüística em cena.

Os vinte atores dão um show de interpretação, mostrando de uma maneira até que engraçada toda a agonia e as complexidades que a mente passa quando estamos em guerra; da insegurança e da necessidade de uma auto afirmação para tentarmos nos manter sãos.

Claro que podemos esperar todo o drama que fica explicito em algumas contradições, inclusive cotidianas, no papel do filho do reverendo e sua irmã que tem um caso amoroso, deixando em dúvida se realmente este sentimento é recíproco ou se forçadamente o irmão abusa da irmã, a qual na peça inteira fica em silêncio ou pela culpa ou por realmente não saber o que se sucede.
Não tão menos importante temos o responsável em dirigir estes refugiados.Os novos - atores fica a mercê das criticas e direção de Oberon, que parece querer controlar ali em cena o que fora, na guerra não tem qualquer poder de prever o que pode acontecer.

Acha-se uma brecha e um desejo enorme de liberdade, de fugir da prisão que não parece proteger mas sim, enlouquecer a mente daqueles que ali habitam e num momento de desespero, vemos a corrida alucinada dos vinte em pleno campo de batalha aos sons de tiros e turbinas dos aviões.


E, ao som de I Will Suvive numa versão menos festiva que a original(no caso de El Truco a versão ficou por conta da banda Cake), temos o mais belo e triste quadro da esperança pela sobrevivência e, observamos lentamente a morte de cada um e, sentirmos na queda da última sobrevivente, todas nossas vontade e desejos serem derrubados por um tiro, pelo o fio rápido da bala traçado no ar que parece todos os dias matar vagarosamente o pior e melhor sentimento que foi liberado pela caixa de Pandora.

7 comentários:

Juliana Cruz disse...

do caralho!

quero ver!

Janaína Vieira de Mello disse...

Má,

Simplesmente eu amo essa versão do Cake do I will survive!

Enfim, muito bom mesmo... Eu quero assistir!

Bjos

luca de oliveira disse...

é... você tem cara de i will survive.

... aguardando satyrianas. vai servir cerveja pra mim?

"ou, dona, traz mais um copo aqui, por favor!"
"claro, claro. só um minuto"
"rápido (olha para o lado). se você não trata assim acomoda, olha aí, cadê meu copo?"

Juliana Cruz disse...

eh....eh o meu namorado...hauhauhauha

barbara disse...

é meu amigo...
quem merece?...diz...kkk...

tbm quero ver...
bjinhus!

luca de oliveira disse...

é. sou eu.

Juliana Cruz disse...

e ai? desistiu tbm?

tenho preguiça...