segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cante de lá que eu canto de cá!


Desde quando me entendo por gente , isso lá pelos meus 17 anos de idade, eu sou muito ligada a cultura nordestina. Gosto das músicas, e principalmente do sotaque é um jetinho que nem os melhores atores conseguem imitar.
Sempre quis ficar próxima, até que um dia descobri que minha avô, mãe de minha mãe é de uma cidadezinha do interior de Alagoas chamada Quebrangulo. Minha Vô é bem morena, cabelos escuros ralos e muito magrinha. É uma tipica Ferreira da Silva. Saber disso me deu um orgulho danado, ter em minhas veias correr o sangue nordestino.
E foi assim que meu amor por esse lugar cresceu.

Não, eu não esqueci que esse blog é sobre teatro! Mas eu precisava contar esse um pouco de mim pra depois falar da peça que assisti ontem no Sesc Avenida Paulista.

Concerto de Ispinho e Fulo é o nome dela.

Chegou até mim por um amigo que tambpem nordestino me falou tão bem, me entusiasmou de tal modo que não vi outra solução a não ser assistir a peça.

Já de entrada, a porta do teatro envolta por uma cortina de renda, já é o canal do transporte de mundos. O cenário, que era no solo, fica em arena , os instrumentos localizados ao sul e ao norte.

As trocas dos atores ficam a margem do circulo. E já damos partida ao embalo da sanfona, percussão e violão.
Entre as músicas e diaologos, a historia do poeta Patativa do Assaré nos é contada de uma maneira leve que desapercebidamente você já está tão envolvido, tão absorto que nem se recorda que já transcorrem 3 horas de espetáculo.

É raro eu fazer uma propaganda tão descarada, todas as peças que eu divulgo aqui é porque eu aprovo. Mas essa, eu peço que quem estiver lendo isso, corra o mais rápido possivel até o dia 11 de outubro e assista Concerto de Ispinho e Fulo.

Vou colocar um vídeo da Cia do Tijolo, grupo que é responsável por essa belísisma criação.
Espero de verdade ler comentários lindos aqui!


http://http//www.youtube.com/watch?v=OTQOyTFTGks&feature=related

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nem tudo que parece é!


Depois de um ano de tentativas, consegui assistir neste domingo passado a peça Agreste escrita pela pernambucano Newton Moreno. Há muito já ouvi falar do seu nome no cenário teatral e estava muito curiosa para ver seu trabalho, ainda mais porque, ele aborda em suas peças a vida no nordeste; para quem me conhece já sabe que nem precisa chamar duas vezes quando a cultura nordestina está no meio de algum evento.

Em cartaz no Teatro Jardim São Paulo, espaço fora do circuito de teatros na cidade, mas muito bom. Grande, não agrada a mim palco italiano, mas é só um detalhe.

Pontualmente as 19h inicia-se o espetáculo.
Dois atores. Nada mais necessário que eles e nós ali para que a ação começasse.
O cenário é simples. Menos, definitivamente é mais. Os próprios atores montam a cenografia com "bambus" , corda e panos. Um projetor também ajuda com imagens de casas típicas do nordeste.

Agreste é a história de um casal homossexual que, ao descobrirem sua relação,secreta , quie vem também a ser para um dos personagens, é recebida pela população com total reprovação.
É preciso lembrar que, em cidades mais afastadas, ser homossexual é muito mais complicado que nas cidades. Essa temática é abordada lindamente no espetáculo.

Cheia de simbolismo, Moreno fez por merecer os prêmios que recebeu por conta do espetáculo; melhor texto no Shell 2004 e APCA de melhor autor e espetáculo.

Fazia tempo que não assistia um espetáculo que me deixasse tão inexpressiva, a ponto de não ter uma opinião sobre o que foi visto logo após a peça acabar.
Gostei. Isso é um fato.

É isso que me faz amar teatro. Você ser surpreendido quando menos se espera. Saber que sabe de tudo, do caminho que as coisas vão segiuir, mas aí, ele te pega de surpresa e ai você se lembra que, na verdade, nossas convicções e expectativas são nada.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Aceita uma xícara de café?


Pós dramático. Não me recordo de ter assistido alguma peça desse gênero antes de Café Espiral, trabalho realizado pelo grupo Vocacional do Satyros. O termo é angustiante e um dos motivos que me levou ao teatro para assistí-la.
É confuso. É necessário preparação para enxergar além.


O palco fica nu. Para preenche-lo , atores e três cadeiras utilizadas apenas em algumas cenas. Este cenário retrata com exatidão a maior problemática da nossa atualidade; o vazio dos sentimentos e das ações nas relações humanas. As fortes marcações e a própria interpretação dos atores demonstram a mecanização dos gestos, palavras e até das cordialidades que somos postos a encarar diariamente.


De que maneira podemos encontrar, no meio da nossa rotina, um jeito de estar vivo e longe do condicionamento pré estabelecidos na sociedade em busca da sobrevivência emocional e financeira? Somos, muitas vezes, espectadores da nossa vida. Sentamos e nos acomodamos confortavelmente em alguma cadeira e assistimos aos acontecimentos sem tomar qualquer atitude; estáticos.


O novo ficará velho. As expectativas depois de alcançadas, acalmam-se e podem tornar-se em monotonia.


Com o intuito de levantar questionamentos no público , Café Espiral não deixa a desejar nesse quesito.


Ficou intrigado? Então vá para o Satyros 1, em alguma quinta feira do mês de julho ás 22h30 e tire suas conclusões.

sábado, 9 de maio de 2009

Olha a comédia stand up aí


Faz poucos minutos que retornei da peça Seleção do Humor, a qual está em cartaz até o dia 30 deste mês no Teatro Folha, shopping Higienópolis.

Confesso que minha primeira experiência com stand up não foi das melhores. Foi aquela em cartaz com o Rafinha Bastos, A arte do insulto há quase 2 anos atrás.


Sabe que depois de sair do espetáculo eu tinha uma certeza, eu nunca mais vejo esse tipo de peça. Mas percebi que a culpa não era do estilo da comédia, afinal ela dá certo há muitos anos nos Estados Unidos e, mesmo recentemente no Brasil , o público vem aumentando e lotando as cadeiras dos teatros que recebem o stand up.


Comédia é muito difícil. Mesmo que você já tenha ali o seu pré roteiro de piadas, é necessário o time. Se não tem, esquece, que nada que será falado ali terá graça.


Voltando ao Seleção do humor, que conta com Bruno Motta, host da apresentação e que faz isso muito bem, é o fixo. Na apresentação de hoje, teve presença de muitos convidados, que infelizmente não me recordo o nome deles.


Mas já que conto com esse imprevisto, pego para falar da atuação desses comediantes pelo tipo de piadas que estão no estilo stand up.


Piada auto depreciativa...porque eu sou gorda, ou baixinha, ou gigante, magricela, narigudo, orelhudo e qualquer outra coisa que a pessoa pegue sua , que possa estar fora do padrão globo de qualidade ou dos parâmetros fashionistas.


Ok. É engraçado ouvir um ou dois comentários...mas não metade da sua apresentação. Pra mim não funciona. Acho, desculpe o palavriado, mas é um pé no saco! Me remete aquele velho jogo de defesa do ego, eu me critico primeiro antes que os outros façam isso.


Na verdade essa é a única coisa negativa que tenho a comentar.


Peço desculpas por não ter o nome dos outros comediantes, incluise desta que fez as piadas destruidoras de ego, mas logo isso será corrigido. Gosto de escrever logo quando eu chego em casa; as impressões, as emoções estão recentes e, amanhã elas já terão sofrido perdas, que podem ser vitais e atrapalhar a minha visão da peça.

Com os nomes em mão, continuo este post falando de cada comediante.

Indico este espetáculo. Infelizmente não é para todos. O custo dele é de 35 reais para aqueles que pagam inteira. Sem contar o horário, meia noite; quem depende de condução já complica ou convida um amigo que tem carro ou fica passeando a madrugada toda. E, para aqueles que vão de carro e pagam inteira, ainda tem o estacionamento, de um preço nada promocional de 3 horas com custo de 8 reais.

Detalhes e mais detalhes, que inconveniencia!

Mas não me deixa sempre a vir a cabeça que, cultura e entretenimento não é pra todo mundo.Tá bom , todo mundo já sabe disso...mas é algo que tem que ser discutido sim, para que se ache uma solução.
Hoje, tem que ter mais que vontade, tem que ter capital...Claro que há as opções de baixo custo ou até gratuita, mas porque não todas oferecerem isso em um determinado momento?

E aqui que já abordei a mesma discussão no Hamlet do Wagner Moura, porque não criar dias populares? Permitir que todos que tenham interesse, mas não condições economicas, possam assistir a um bom espetáculo.
Reconheço a dificuldade de montar uma peça, do patrocionio, do pagamento dos atores e equipe técnica, do aluguel do espaço. Mas, nada mesmo pode ser feito?Em um dia no mês, um final de semana, haver apresentações com preços e horários mais acessíveis? Ainda mais no caso dos stand up, que não exige, figurino, cenário e, se feito até um determinado horário, pode ser feito a luz natural e em um local público?

Fica aí, mas uma vez esse questionamento solto...

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Queda da Sinagoga de Dionísio

Conforme o tempo vem passando, aos poucos, São Paulo perde um dos espaços mais importantes e significativos na história do teatro brasileiro e, afirmo com todo o penar de como esta situação é triste.
Não há muito tempo freqüento o Teatro Oficina, precisamente falando, desde 2006, mas é notório esta queda de público que é conseqüente da queda do grupo. Não no âmbito profissional, já que isto nunca me pareceu ser uma prioridade de ter excelente atores quando se comparado a outrora, nos tempos áureos do Oficina; e sim na energia entre atores entre atores e ator com público.
O carnaval que sempre foi tido como fonte de vida neste teatro tem na verdade desaparecido e excluindo o público do convívio e da sintonia da companhia. Não me refiro também as intervenções do público em cena, mas da ligação verdadeira dos profissionais que lá trabalham com as pessoas que lá freqüentam.
Das poucos vezes que fui nestes últimos meses, senti um conflito de egos entre os atores.
Percebe-se que lá há um rodízio entre os queridinhos e, quando isso acontece os outros em cena parecem meros figurantes e deixam em evidências “os grandes”.
Que teatro é esse? Cadê o coletivo? A união? O poder de unir as diferenças que, por mais divergentes que possam parecer, agora estão separadas por um abismo.
Afirmo que, das pessoas que conheci lá, refiro-me público, sentem falta disso. Falo aqui em nome de alguns deles que sentem que o lugar que tanto gostávamos de ir, que tínhamos como um templo, está desfalecendo.
Penso que, algo poderia ser feito se de fato eles quisessem fazer. Sei que o público fiel que eles sempre tiveram o apoiariam.
O jeito é aguardar e quem sabe esperar também que Eles vejam isso e que tudo seja revertido.

Evoé!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Se vira...


Ás quintas feiras, no teatro Tuca ás 21h31, ou talvez com alguns minutos de atraso decorrente a grande quantidade de pessoas , está em cartaz o espetáculo " Improvável".


Bom, primeiramente é preciso avisar que, esteja preparado para rir até seu estomago começar a doer...suas bochechas arderem...


Com a presença de quatro comediantes em palco, Improvável é um espetáculo no qual esses atores realizam cenas improvisadas por meio de frases que a própria platéia sugere antes do espetáculo ou no durante.


Dinamismo é a palavra chave.


Entretenimento garantido pelo simples fato e, genial, de colocar pessoas em situação cotidianas, porém bizarras...aquelas que geralmente só ficam na nossa cabeça são finalmente visualizadas ao vivo e a cores.


Ficam em palco nu. Apenas quatro bancos, pretos e coloridos, no centro e mais um a direita do palco a qual é ocupada pelo mestre de cerimônia, geralmente um convidado, entre eles podem-se citar: Marcelo Tas, Oscar Filho, Marcela Leal, Marco Luque, Marianna Armellini, Cristiane Wersom, Marco Gonçalves, Márcio Ballas e Rafinha Bastos, que há um ano atrás era o MC fixo do show.


Genialmente criado, produzido e encenado pela Cia Barbixas de Humor, grupo composto pelos atores Anderson Bizzocchi, Elídio Sanna e Daniel Nascimento, apesar que vale lembrar também que Improvável é influênciado pelo programa "Whose Line is it Anyway?" transmitido na Inglaterra e Estados Unidos; o espetáculo ficou nacionalmente conhecido por meio do youtube e, assim, a platéia já sabe exatamente o que as espera e o que quer ver.


Histórias improváveis, Frases improváveis, Troca, acredito que o mais famoso e aclamado pelo público, Conto de Fadas, Abecedário, Slide Show e Perguntas são apenas alguns dos quadros apresentados em cena.


Interessante que, ao parar pra analisar que, quem teve a idéia deste espetáculo é um gênio. Estudantes de teatro sabem disso...quem não fez um jogo teatral? Talvez não o mesmo tipo que eles fazem, mas é algo que puta: é a maior sacada; você entra em cena, "faz graça" que pode dar certo ou também ser um desastre e ai, no final do dia tá lá...teu salário!


Já conseguiu pensar em algo melhor pra ser? Pra fazer?


Lógico que não.


Mas estar ali não é também tão fácil quanto parece.


Não é pra qualquer um conseguir criar cenas em apenas segundos e que tenham sentido e engraçadas; exige-se um pensamento sagaz e não só falar besteira a torto e a direito.


O timming, a pré disposição e, principalmente a prontidão. Há vacilos, mas afinal, quem nunca vacilou? Agir espontaneamente , de maneira clara e intencional exige muito foco e muita bagagem.


Privei de analisar cada ator, como geralmente costumo fazer...penso se é possível tal observação quando nos deparamos com a improvisação, ainda mais cômica.


Querendo ou não, estão lá pessoas que sabem fazer os outros rir.


Relevando tudo isso e, ainda mais daqueles que podem comprovar o que foi dito aqui, Improvável é uma ótima opção para uma quinta feira tediosa ou para já te preparar pro final de semana.


Sem previsão de final de temporada, mas não perca tempo.


Tire suas nádegas da cadeira do computador e vá ate o Tuca apreciar este espetáculo que provavelmente o mais hilário e humano que assistirá.


"Um espetáculo provavelmente bom" com duração de provavelmente 60 minutos.


Vendas de ingresso pelo site http://www.improvavel.com.br/ ou no próprio teatro no valor de R$40,00 ou você pode adquirí-los antecipadamente pelo valor de R$30,00, mas somente para inteira.


Xerete enquanto isso no site do youtube; basta digitar improvável que vários vídeos estarão a sua disposição.


Zele nossos comediantes; contemplê-os que é fato que não haverá arrependimentos.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Na minha não!


No espaço subterrâneo do Centro Cultural de São Paulo está em cartaz a peça Navalha na Carne, de Plínio Marcos. O elenco conta com os atores Gero Camilo, Gustavo Machado e Paula Cohen, com direção de Pedro Granato.
O local para apresentação é muito bem arquitetado pela simplicidade. Ao entrar, uma “cortina” de fios de plásticos; um dos atores está já na porta para receber o público.
A sua frente já se pode ver uma cama redonda de motel e, a sua volta quadro canos de luz; uma porta de ferro muito bem feita que apenas se tinha a parte central e o coração vermelho que piscava metade para cima e depois metade para baixo.
Ficamos em forma de arena e, enquanto o público se ajeita nas cadeiras os atores interagem com seus novos vizinhos.
Todos a postos. Sob patins, shorts azul claro e uma camiseta regata, ouve a voz imponente de Gero Camilo com a seguinte canção: “ Quando eu digo merda, eu quero dizer Axé...Evoé! Repetido algumas vezes o refrão, o espetáculo se inicia.
Merda.
Navalha na Carne conta a história do cafetão Vado, da prostituta Neusa Sueli e do homossexual Veludo. A trama se desenrola quando, Neusa chega do trabalho e deve entregar o dinheiro ganho na noite de trabalho a Vado porém, quando eles percebem o dinheiro sumiu e deduzem que foi Veludo que levou a grana, já que ele é o faxineiro do motel.
A boa pinta e malandragem do cafetão; a insanidade sã da prostituta e o bom humor do gay transformam a peça em uma comédia apesar de todos os problemas vividos pelo os personagens.
A mulher, nesta peça de Plínio, mostra um lado mais sórdido, diferente de “ Quando as Máquinas Param”. A carência e a dificuldade da profissão de Neusa Sueli a deixam presa a um homem que a maltrata, humilha e a deixa a ver navios.
Cenas de sexo entre os três atores simultaneamente desvendam a posição de cada um durante o espetáculo. Veludo, apesar de se portar como uma dama, consegue dominar Vado, enquanto Neusa até o fim não passa de um boneco.
Quanto a atuação. Gero Camilo é excelente. Tem uma puta potência vocal, presença e sabe lidar bem entre as situação cômicas e dramáticas. Só parei pra pensar durante um momento: “Porque ele só faz personagem homossexuais?” Claro que ele já fez outros tipos de personagens, mas na minha cabeça só me lembrava do marido de Rodrigo Santoro em Carandiru.
O cafetão, interpretado por Gustavo Machado é bom. Apenas no inicio do espetáculo que não era possível entender uma só palavra que ele dizia; a fala era rápida e, na hora de pronunciá-las ficou tudo grudado e incompreensível.
Já Paula Cohen,achei ela ótima, mas ficou uma dúvida, pelo menos para mim, será que a profissão de Neusa a deixa tão traumatizada, juntamente com a carência afetiva, que ela é uma pessoa inquieta e até pode ser vista como louca ou ela usa drogas para se manter ligada no trabalho? A personagem não parava um minuto, Subia e descia da cama; se deitada parecia que tava ligada na tomada, andava de um lado para o outro.
Confesso que ainda não li a peça, agora me ficou mais urgente essa leitura para entender se foi uma interpretação da atriz ou se de fato foi o Plínio quis para sua personagem.
Navalha na Carne ficará em cartaz até o dia 19 de fevereiro, de terça a quinta-feira ás 21h.
Bye bye, baby!